A presença de Gerson Pompeu Pinheiro nos grandes acervos nacionais

A obra de Gerson Pompeu Pinheiro, um dos nomes mais versáteis da arte brasileira do século XX, transcendeu seu tempo e hoje integra de forma permanente o patrimônio cultural do país, sendo preservada em importantes museus, instituições educacionais e coleções públicas e privadas.

Grande retratista em sua época e renomado por expressar a individualidade de cada pessoa que pintava, Gerson foi comissionado para fazer pinturas de retrato para diversas instituições e acervos pessoais de família. Seu talento para capturar a semelhança fisionômica e a essência  do retratado fez dele um artista muito requisitado. Para o Clube de Engenharia, por exemplo, retratou oito de seus diretores, obras que estiveram na Sala de Congregação da instituição. Na esfera filosófica e espiritual, seu retrato do Professor Huberto Rohden, fundador do movimento Alvorada, é uma peça de destaque no acervo da própria instituição. No campo da música, o retrato da Professora Joanídia Sodré, uma das primeiras registas do Brasil, embeleza a Escola de Música da UFRJ, ligando duas grandes vocações artísticas de Gerson: a pintura e a música.

Sua galeria de personalidades inclui ainda figuras de destaque em suas respectivas áreas. Ele retratou o famoso escritor e matemático de pseudónimo Malba Tahan, celebrado por obras como “O Homem que Calculava”. Entre outros retratos de grande valor artístico e documental, estão os de Munis de Aragão, Nogueira de Paula e de Maria Augusta dos Santos, que hoje compõe o acervo do Museu de Arte do Rio (MAR).

Para além dos retratos, Gerson era exímio pintor de cenas históricas, e fez diversos quadros desse gênero que hoje compõem acervos de grandes museus. Nestas obras, ele demonstrava sua erudição e capacidade de traduzir narrativas complexas em imagens de forte impacto visual. Seu quadro “Dia do Fico”, uma representação solene do momento em que D. Pedro I decide permanecer no Brasil, em 9 de janeiro de 1822, é uma peça de grande importância histórica e integra a coleção do Museu Imperial de Petrópolis, dedicado ao Segundo Reinado.

Sua ligação com o mundo acadêmico ficou eternizada através de doações significativas. Os quadros “Juventude”, “Vitória da Inteligência e do Direito sobre a Força” e “Prometeu Acorrentado” foram doados para a Reitoria da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ), onde permanecem como um legado de seu profundo engajamento com a instituição que tanto amou.

Prometeu Acorrentado, 1948. Fotografia da obra original. Gerson Pompeu Pinheiro.

A Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), berço de sua formação, guarda com orgulho duas de suas obras emblemáticas. O quadro representando a importante figura de Aleijadinho, mestre do barroco brasileiro, foi doado à escola, assim como o seu “Nu Artístico”, pintura realizada para um concurso da mesma instituição, que evidencia seu domínio absoluto da figura humana. Outra doação de destaque é “O Despertar da Guanabara”, uma obra de inspiração alegórica que teve como musa a artista Gilda Caseli, também incorporada ao acervo da escola.

Por fim, uma menção especial ao seu quadro de estreia: no Museu Histórico Nacional está guardada a “Homenagem do Presente ao Passado”, pintada com apenas 12 anos de idade e premiada na Exposição do Centenário da Independência em 1922.

Autor dedicado, Gerson também se voltou intensamente para a escrita de livros sobre arte, desenho e arquitetura. Seu espírito incansável de busca pelo conhecimento o levou a produzir obras que abordam desde a história da arte até manuais práticos de desenho, elaborados para auxiliar artistas e arquitetos em seu aprimoramento. Entre os títulos publicados por Gerson Pinheiro estão Das Artes Plásticas, O Desenho de Observação, O Desenho para o Arquiteto, Que é Arte? e Efemérides das Artes Plásticas. Atualmente, esses livros integram o acervo de grandes bibliotecas do Rio de Janeiro, figurando nos catálogos da Biblioteca do Museu Nacional de Belas Artes, da Fundação Biblioteca Nacional e da Biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil.

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