Após conhecer o professor Huberto Rohden, cuja visão espiritualista influenciou profundamente sua trajetória (saiba mais aqui), o pintor Gerson Pinheiro passou a integrar Alvorada, onde, em 1958, publicou um texto analítico sobre uma de suas obras. Embora o quadro “O Sermão na Montanha” já estivesse concluído havia algum tempo, o artista decidiu publicá-lo, junto à uma leitura simbólica, iconológica e artística que revelasse suas camadas de significado. Assim surgiu o poster “Simbologia do Quadro (O Sermão na Montanha)”, uma introdução sensível à compreensão dessa pintura. Esse texto original acompanhava um pôster de 32,5 x 41 cm, no qual o público recebia, além da bela imagem da pintura, a interpretação do próprio autor. Segue o texto:

Tinta a óleo sobre tela
Gerson Pinheiro, década de 1950
O tema: – “À vista das multidões, subiu Jesus a um monte e sentou-se. Acercaram-se dele os seus discípulos, e ele, abrindo os lábios pôs-se a ensiná-los dizendo:
Bem aventurados os… Mateus, 5, 2.”
A composição: – “A figura majestosa de Jesus o Cristo domina inteiramente a composição. A sua mão esquerda indica os bem aventurados, aos quais pertencerá o reino dos céus apontado pela mão direita.
Na base do quadro, as figuras vistas quase em silhueta significam os discípulos e fiéis. A primeira da esquerda para a direita é o pintor.
Do lado esquerdo, o grupo de figuras róseas representa as oito bem-aventuranças, assim dispostas:
1.° plano da esquerda para a direita – Os pobres pelo espírito, os tristes, os mansos;
2.° plano, na mesma ordem os pacificadores, os misericordiosos, os puros de coração;
3.° plano, idem – Os que têm fome e epes da justiça. Os que sofrem perseguição por causa da justiça.
Uma forma luminosa que emana da boca de Jesus envolve as figuras simbólicas das bem-aventuranças, representando a voz do Mestre.
A região média do quadro corresponde ao plano de transição, no qual, visões de figuras aladas fazem soar clarins anunciadores da redenção. Nesse mesmo nível do quadro origina-se uma forma luminosa, curvilínea, que, partindo com do coração de Jesus, se liga com a estrada dos eleitos rumo à Infinita Perfeição, simbolizada pela estrela branca ao alto da composição.
Na parte superior, formas envoltas em densa névoa figuram o reino dos céus.
Da imagem de Mestre abre-se para cima um grande ângulo luminoso, representando as suas palavras: “Eu sou a luz do mundo” João, 8, 12.
A côr: – A gama de cores, partindo das “terras e ocas” da base, passando pelos verdes escuros e violetas da região média e atingindo os azuis claros, verdes e róseos da parte alta do quadro, significam as diferentes fases de evolução. Sobrepondo-se a toda essa sinfonia de cores, há uma côr única que encerra as demais: a luz branca do Cristo eterno, encarnado em Jesus.
Copyright by “Alvorada” – 1958
